quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Do bem


Sim!

Carinho,
Ternura,
Mansidão,
Bondade

Justiça,
Misericórdia,
Perdão,
Caridade

Calor,
Aconchego,
União,
Amizade

Beleza,
Doçura,
Gratidão,
Igualdade

Brandura,
Afago,
Compreensão,
Liberdade

Alegria,
Concórdia,
Afeição,
Fraternidade

Paz,
Esperança,
Comunhão,
Sensibilidade

Fé,
Candura,
Pão,
Felicidade

Sim!
Amor, sim!
Amor, sim!
Amor, sim!


Assis Furriel


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Morena dos olhos d'agua

Muitos importantes compositores da música popular brasileira fizeram escola, inspirando muitos outros artistas ao longo do tempo, sobretudo, a geração da chamada época de ouro dos anos 30 e 40. Um exemplo especial é Dorival Caymmi. O compositor baiano que cantou a sua terra com tanta presença e genialidade influenciou uma série de outros importantes compositores que beberam de sua fonte. Suas "Canções Praieiras", nome de seu disco de 1954, no qual constam A jangada voltou só, Canoeiro,Bem do mar, O mar, Suíte dos pescadores e É doce morrer no mar entre outras canções, falam bem disso. 

Vários compositores de gerações posteriores confessaram essa influência em depoimentos e em músicas. Morena dos olhos d'agua, de 1966, de Chico Buarque de Hollanda confirma essa ideia. Pode ser até que ele não tenha pensado nisso quando a compôs, mas a opinião desse blogueiro que vos escreve é a de que a homenagem é verdadeira. Chico tem outras, como Januária, de 1967 que também traz uma cena típica das músicas de praia de Dorival: "Ela faz que não dá conta de sua graça tão singela/ O pessoal se desaponta/ vai pro mar/ Levanta vela".  

Uma vez, comentando com uma amiga sobre a música do Chico e sua possível inspiração em Dorival, disse que achava que possivelmente o baiano estivesse ali inserido pelo grande e iniciante Chico e que ela, assim como "Januária" e talvez outras mais, fossem de inspiração praiana que a obra do Dorival marcou no imaginário da música popular brasileira. Essa bem poderia ter sido uma composição do próprio Caymmi". 



Assis Furriel canta Morena dos olhos d'agua

Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar

Descansa em meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de lhe agradar
Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei

O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não têm hora, morena
De partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem 


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sábado, 7 de junho de 2014

O negro no contexto sócio-cultural do Rio de Janeiro (1870-1920) - A contribuição dos baianos à cultura carioca

     A comunidade baiana e seus descendentes no Rio de Janeiro tiveram um papel de grande importância na formação e uma cultura popular que reflete até aos dias atuais. Nas várias áreas da cultura, atuaram como semeadores de práticas que misturadas aos costumes mais sofisticados da sociedade carioca criaram um “caldo” que moldou o imaginário carioca. A música de características fortemente rítmicas, como o samba de roda e de partido-alto; suas danças, como o maxixe, o lundu e a capoeira (misto de dança e luta, à época); suas crenças e festas religiosas, como o candomblé e as festas católicas que os negros freqüentavam, num sincretismo religioso; a comida de forte aroma e tempero, vendida nas praças e nas festas, tudo isso serviu como legado dessa gente que “veio da Bahia cantar”. 

     A história do samba carioca, por exemplo, tem sua gênese nas rodas musicais realizadas nas casas das “Tias baianas”, que no início do século XX reuniam os músicos e participantes de várias camadas da sociedade, em seus fundos de quintais, fugindo da perseguição da polícia. Nessa época, violão e pandeiro eram sinônimo de vadiagem e aquele que fosse pego com um instrumento desses, era preso como bandido. Ao mesmo tempo em que era caso de polícia, o samba era admirado por parte da elite da cidade. Uma história bem pitoresca mostra bem essa relação paradoxal entre as autoridades e a comunidade negra. João da Baiana, exímio pandeirista, filho de Tia Perciliana, uma das tantas baianas que compunham o importante grupo vindo da Bahia, passou por uma experiência insólita: “Certa noite, João da Baiana foi convidado para ir a uma festa no palácio de senador Pinheiro Machado, um dos mandachuvas da política da época. Acabou não aparecendo por ter sido preso pela polícia na Festa da Penha. Acusação: levava um pandeiro a tiracolo. Dias depois, o todo-poderoso senador quis saber por que João não aparecera em sua festa. Sabendo da história, Pinheiro Machado mandou fazer um pandeiro na loja Cavaquinho de Ouro, do seu Oscar, com a dedicatória “A minha admiração, João da Baiana – Senador Pinheiro Machado”. Coincidência ou não, o fato é que João nunca mais foi importunado”. (Diniz: 2006, p. 31). 

     Foi numa dessas rodas de samba, na casa de Tia Ciata, a mais destacada de todas as tias, na Cidade Nova, que o primeiro samba “Pelo Telefone” foi criado. Obviamente, outros sambas já haviam sido criados, porém Donga e Mauro de Almeida registraram como de autoria da dupla a composição feita coletivamente. O episódio gerou grande revolta e debates por parte da comunidade. No entanto, o fato da gravação ter sido feita e registrada como gênero “samba” foi uma inovação, ajudando a popularizar a música o ritmo. Isso criou, de algum modo, uma preocupação mais profissional da parte dos sambistas. 

     Os músicos da primeira geração do samba, filhos das tias e tios baianos, deram à história da música popular brasileira uma grande contribuição. São dessa época, as músicas de estilo mais rural e de influência africana, como o samba tocado com prato e faca, os sambas de partido-alto, as chulas, os maxixes, entre outros ritmos que foram trazidos pelos negros da Bahia. Essa geração, além de Donga e João da Baiana, revelou também o grande Pixinguinha, um do maiores de todos os tempos e Sinhô, o “Rei do Samba” e do maxixe nos anos 1920. O final desta década, ainda revelaria uma “revolução” no modo de tocar e uma adaptação desse ritmo que foi ajustado aos desfiles dos blocos carnavalesco. Aí inicia a história das Escolas de Sambas, que os anos da Era Vargas impulsionariam. Mais isso é um outro capítulo da história.


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DINIZ, André. Almanaque do samba: a história do samba, o que ouvir, o que ler, onde curtir. 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Valsa de uma cidade




Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar
Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar
Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, deste mar, desta gente feliz

Bem que eu quis escrever um poema de amor
E o amor estava em tudo o que vi
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor
Que não me quis
Composição de Ismael Neto e Antônio Maria (valsa, 1954) 



In: Cifrantiga, http://cifrantiga3.blogspot.com.br/2006/05/valsa-de-uma-cidade.html

“Esta canção é uma crônica de amor ao Rio de Janeiro. Realmente, seus versos iniciais com um enfoque descritivo - "Vento do mar no meu rosto / e o sol a queimar, queimar / calçada cheia de gente / a passar e a me ver passar" - têm a marca inconfundível do grande cronista que foi Antônio Maria, autor da letra, e bem poderiam servir de abertura a uma de suas crônicas. 

Abrem, porém, uma das mais belas canções, entre tantas, que louvam o Rio de Janeiro, uma canção em ritmo de valsa, ao contrário da maioria que canta a cidade em ritmo de samba. Em tempo: nenhum dos autores de "Valsa de Uma Cidade" era carioca, sendo Antônio Maria pernambucano e Ismael Neto paraense."

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Receita pra lavar palavra suja por Viviane Mosé


Mergulhar a palavra suja em água sanitária,
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza,
por exemplo a palavra vida.
Existem outras e a palavra amor é uma delas
que são muito encardidas e desgastadas pelo uso,
o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que ainda permanecem sujas
depois de submetidas a esses cuidados
mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram as manchas mais difíceis e nada.
Todas as tentativas de lavar a piedade foram sempre em vão.
Mas nunca vi palavra tão suja
como a palavra perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas,
soltam um líquido corrosivo
—que atende pelo nome de amargura—
capaz de esvaziar o vigor da língua.
Nesse caso o aconselhado é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade.
Agora se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário,
pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo aqui é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
A culpa, por exemplo, mancha tudo que encontra
e deve ser sempre clareada sozinha.
Uma mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
já que desejo sendo uma palavra intensa, quase agressiva,
pode, o que não é inevitável,
esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva
produz uma oleosidade que conserva a cor
e a intensidade dos sons.
Muito valioso na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Para isso conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos
que passeie pelas expressões dos seus sentidos.
Á noite, permita que se deite,
não a seu lado, mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme
a palavra plantada em sua carne
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar a convivência
até não mais perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

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Ouvi esta poesia fantástica outro dia pela própria Viviane Mosé num programa compartilhado no Facebook por uma amiga. Fiquei tão impressionado que resolvi postar por aqui no blog. Já tinha ouvido falar da autora que é filósofa e já teve até quadro (or sinal muito bom) no fantástico da Rede Globo.

"Viviane é capixaba e vive no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, especialista em “Elaboração e implementação de políticas públicas” pela Universidade Federal do Espírito Santo. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro."(In: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/viviane_mose.html).  Leia mais sobre a autora e outros poemas seus neste endereço.

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domingo, 27 de abril de 2014

O negro no contexto sócio-cultural do Rio de Janeiro (1870-1920) - A grande reforma urbana e a vida refeita no morro

Antes mesmo da grande reforma, observa-se que a República, recém chegada, apresenta como uma de suas características a prevenção contra pobres e negros, “prevenção esta que se evidencia principalmente na forte repressão aos capoeiras, levada a efeito em 1890 e na destruição (não sem violenta reação popular) em janeiro de 1893, pelo prefeito Bento Ribeiro, do “Cabeça de Porco”, o mais famoso cortiço do Rio de Janeiro, localizado na atual rua Barão de São Félix, nas fraldas do Morro da Providência, nos terrenos em parte cortados hoje pelo túnel João Ricardo, e que abrigava, à época de sua demolição, cerca de 2.000 pessoas”. (Lopes: 1992, p. 5)

Com desejo de dar à paisagem da cidade uma aparência européia, inspirada na belle époque francesa, inicia-se uma política de embelezamento e racionalidade que consiste em abrir novas e largas avenidas, derrubadas de prédios velhos, os chamados cortiços, limpeza e saneamento das ruas do Centro. Desse modo, a população pobre, de grande maioria negra é obrigada a se mudar para as periferias, como as das regiões da Praça Onze e da Cidade Nova, como também a ocuparem os morros próximos, como os da Conceição, no bairro da Saúde e da Providência (morro da Favela), na Gamboa. A política urbanizadora do Prefeito Pereira Passos, inicia-se em 1902 e segue até 1906, a qual foi conhecida popularmente por “Bota abaixo”. 

Em resumo, o plano urbanístico visava à remodelação do porto da cidade e das áreas próximas, facilitando seu acesso aos ramais da Central do Brasil e da Leopoldina; a abertura da avenida Rodrigues Alves e da Avenida Central (atual Rio Branco) que cortaria o centro comercial e financeiro que seria também reconstruído e remodelado; melhoria do acesso à zona sul, que se tornaria definitivamente a região ocupada pelos mais abastados da cidade, com a construção da avenida Beira-Mar; e a reforma do acesso à zona norte com a abertura da avenida Mem de Sá e com o alargamento das ruas Frei Caneca e Estácio de Sá. Além disso, alargamentos de várias ruas e pavimentação e ampliação dos serviços urbanos como o dos transportes. O combate às epidemias, executada pela liderança do Dr. Oswaldo Cruz, também marcará profundamente essa fase.

Expulsos de suas casas na área central da cidade, os negros vão se juntar a tantos outros chegados de outras regiões do país para tentar a sobrevivência na capital da República. O panorama é o pior possível. A favela (nome dado pelos primeiros moradores, remanescentes da guerra de Canudos) configura-se por barracos sem higiene, empilhados pelas encostas, de chão de terra batida, parede de barro ou improvisadas com latas de querosene ou tábuas de caixote. Com as destruições das habitações populares coletivas (cortiços e cabeças-de-porco), essa era uma alternativa barata, livre dos altos aluguéis e próxima aos locais de trabalho. O morro da Providência foi o primeiro a ser reconhecido por favela, que era o nome de um arbusto e de um morro próximo ao povoado de canudos. Os soldados que retornaram de lá e que deixaram de receber seus soldos se instalaram nesse morro, batizando-o com este nome em homenagem àquele lugar. 

(Continua...)
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LOPES, Nei. Introdução. In: O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical: partido alto, calango, chula e outras cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

O negro no contexto sócio-cultural do Rio de Janeiro (1870-1920) - O negro e o mercado de trabalho

       Com o fim da escravidão, o negro passa a ter um problema que é buscar seu próprio sustento. O Estado não elaborou uma política de inserção do negro na sociedade e no mercado de trabalho. Num momento de industrialização e da busca de uma modernidade, o país que havia deixado o “escravismo” para entrar no “capitalismo”, não contou com a participação da mão-de-obra, agora livre, negra. Portanto, esse contingente negro busca, por sua própria sorte, uma colocação na sociedade excludente de então. 

Despreparado para o mercado moderno de trabalho e tendo, acima de tudo, grande concorrência dos estrangeiros, os negros acabam por exercer atividades menores e toda a forma de subempregos, incorporando também a massa de desocupados que habitava o centro da cidade e arredores. “No Brasil moderno, as negras achariam alternativas no trabalho doméstico ou seriam pequenas empresárias com suas habilidades de forno e fogão; ou, juntamente com o homem, procurariam o sustento através de pequenos ofícios ligados ao artesanato e à venda ambulante. No Rio de Janeiro abriam-se oportunidades na multiplicidade de ofícios em torno do cais do porto, para alguns na indústria, para os mais claros na polícia, para todos no exército”. (Moura: 1983, p. 43).

A imagem negativa do negro preguiçoso e malandro e que não gostava do trabalho se deu por conta de muitos que ficaram à margem: prostitutas, cafetões, malandros, outros ainda, que ganhavam a vida com o que aprenderam nas festas populares, trabalhando em cafés, cabarés, circos e palcos das revistas. Esses, juntamente com outros segmentos populares, oscilaram entre o subemprego urbano e a marginalidade carioca. 

A participação do trabalho exercido pelo negro marcará definitivamente a história das atividades do cais do porto. Sua participação nas organizações de trabalhadores se dará fortemente, como na Sociedade de Resistência dos Trabalhadores em Trapiches de Café, tendo uma participação maciça dos negros, inclusive em suas lideranças, tendo sido chamada anteriormente Companhia de Pretos.

Durante as obra de remodelação da cidade, o trabalho era oferecido nas esquinas do centro, assim como a seleção dos candidatos. Os negros levavam sempre desvantagem em relação aos brancos. Roberto Moura revela a voz das testemunhas como a de D. Carmem, vizinha das obras na época, que depõe: “quem trabalhava mais mesmo era o português, essa gente, espanhóis, era mais essa gente. Não era fácil, eles não gostavam de dar emprego pro pessoal preto da África, que pertencia assim à Bahia, eles tinham aquele preconceito”. (Moura: 1983, p. 44).

(Continua...)
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[1] Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da- populacao-brasileira/brasil-um-pais-de-migrantes.php

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1983.

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