quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Contrastes que aproximam

 
Em visita à exposição "Mulheres negras em diásporas" do fotógrafo Januário Garcia, na qual o artista nos mostra várias imagens de mulheres negras de vários países da América Latina, como Argentina, Peru, Venezuela entre outros, resolvi fotografar a mim mesmo junto a esta foto que considero emblemática em toda a obra de Januário. Ele mesmo já me confidenciou o seu apreço por essa imagem. Do resultado do meu registro me veio esses contrastes que resolvi listar nessa minha homenagem ao amigo Janu.



O velho e o novo
  A mulher e o homem
O preto e branco
O preto&branco e o colorido
A África e a Europa
O rural e o urbano
O Brasil e o Brasil
A senhora e o rapaz
A experiência e o aprendiz
A fotografia e o admirador
O ícone e o observador atento
A avó e o neto


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Viva Zapata! – Uma resenha crítica


O filme de Elia Kazan de 1952*, que traz Marlon Brando no auge de sua juventude e o já experiente e fabuloso Anthony Quinn é um clássico do cinema mundial. Kazan se uniu ao roteirista John Steinbeck para juntos contar a história da revolução mexicana a partir de um dos seus mais importantes líderes: Emiliano Zapata. A produção hollywoodiana da Twentieth Century Fox apresenta um conjunto de elementos que possibilita uma análise bem abrangente. O filme é bom! Indiscutivelmente, é muito bom, tendo recebido quatro indicações ao Oscar: melhor Ator (Marlon Brando); melhor Direção de Arte, melhor Trilha Sonora e melhor Ator Coadjuvante (Anthony Quinn), este último, o único premiado.


O filme
O longa conta a história de Emiliano Zapata, líder revolucionário, que revoltado com as arbitrariedades cometidas pelos grandes proprietários de terras, resolve reagir, liderando os camponeses pela recuperação das suas terras, que haviam sido tomadas por esses grandes fazendeiros com o apoio do presidente Porfírio Diaz, há mais de trinta anos no poder.

Zapata é convocado por Madero, candidato derrotado à presidência e que estava exilado nos EUA, para liderar os camponeses ao sul. Assim, acreditava que com ele ao norte e Zapata ao sul conseguiriam recuperar a democracia. O problema é que Zapata estava preocupado apenas com a devolução das terras para os agricultores. Os dois conseguem derrubar Porfírio Diaz, que foge para os EUA, mas não sem evitar a morte de muitos camponeses. Madero, por sua vez, é vítima de um golpe, articulado pelo general Victoriano Huerta, que mantém a situação como no governo de Diaz.

Enfim, após a união com Pancho Villa, os rebeldes conseguem derrotar Huerta e então, Zapata, contra sua vontade, assume a presidência. Porém, quando vê que a situação começa a se repetir como antes, desiste do cargo e volta às montanhas para o combate. Ao fim, acaba morto numa emboscada, traído por Aguirre. Seu corpo é exposto em praça pública, mas imediatamente os camponeses que o encontram decidem que vão acreditar que seu herói ainda vive nas montanhas e que sempre que for preciso ele retornará.


A crítica
Se pudéssemos somente deter-nos na trama e no entretenimento (e isso é possível), deixando de lado análises mais sofisticadas de ordem estética ou histórica, o filme, ainda assim, se revelaria de alta qualidade. No entanto, um clássico não se faz apenas do entretenimento. “Viva Zapata!” é o resultado da conjunção de fatores importantes que o torna o que é: a direção e a produção, os atores, a história contada (a revolução mexicana), a época da produção e seu contexto político, etc.

O diretor Elia Kazan, reconhecido por sua genialidade artística, mas também por sua participação na política de delação** dos comunistas na “’era macartista”, já era um premiado diretor, tendo dirijo Brando em “Uma rua chamada pecado”. Esta produção, adaptada da peça de Tennessee Williams, “Um bonde chamado desejo”, de 1947, ganhou o prêmio especial do júri do Festival de Veneza em 1951. O diretor voltaria a juntar-se ao ator em “Sindicato de ladrões” de 1954, tendo recebido por este trabalho o Oscar de melhor direção. Sua experiência teatral certamente contribuiu para a forte dramaticidade do filme, assim como em sua estética visual. As cenas finais que mostram sua morte demonstram bem esses aspectos: o silêncio mórbido do momento; as mulheres beatas, rezando seus terços tendo por detrás a sombra de uma cruz na parede; os closes do cavalo agitado, como que pressentindo o que estava por ocorrer; as mulheres encaminhando-se para o corpo morto de Zapata, na praça; a decisão de torná-lo imortal, naquele momento, pelos camponeses. Tudo isso é bem marcante e profundo.

O filme apresenta um Marlon Brando após o grande sucesso de “Uma rua chamada pecado”, no qual se tornara um símbolo sexual. O galã empresta toda sua elegância e beleza a um personagem rural e rude. A intenção de Kazan, segundo alguns críticos, era a de opor, a partir de um contexto da “Guerra Fria” dos anos 1950, o ideal democrático norte-americano e o comunismo soviético. Neste caso, “Zapata era o representante da bondade e da luta honesta, e Fernando Aguirre, traidor e manipulador”.

No caso de Andréa de Fazio***, seu trabalho, “Viva Zapata!, de Elia Kazan: um olhar norte-americano sobre a América Latina durante o período macartista (1950-1954)” propõe “uma análise sobre as formas que os Estados Unidos vêem o México, e de forma mais abrangente, a América Latina, através das visões, imagens e representações construídas pelo filme Viva Zapata!”.

De certo modo, as questões políticas dos anos pós Segunda Guerra influenciaram bastante as produções desta época, assim como suas análises críticas as quais foram objetos.

Em 1999, a Academia de Hollywood concedeu a Kazan o Oscar honorário pelo conjunto da obra. Esta decisão gerou protestos de vários artistas que se opuseram a homenagem.

Teses e protestos à parte, a genialidade de Kazan, ainda que represente uma figura contraditória, se mostra a toda prova.

Trailer



   * Ficha técnica em: http://www.adorocinema.com/filmes/viva-zapata/
 **] Elia Kazan, o delator. Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2003/09/29/000.htm
*** De FAZIO, Andréa Helena Puydinger. Viva Zapata!, de Elia Kazan: um olhar norte-americano sobre a América Latina durante o período macartista (1950-1954). Disponível em: http://www.anphlac.org/ periodicos/anais/encontro8/andrea_fazio.pdf

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Socrático

Filosófico,
Parteiro de ideias,
Mestre,
Justo,
Amoroso,
Político,
Crítico,
Virtuoso,
Conhecedor de si mesmo: "Só sei que nada sei"!


"Conhece-te a ti mesmo"

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Para Paraty II

foto: Assis Furriel

Dá-me a mim
Tua certeza
Tua paisagem
Teu deslumbramento
Tua candeia
Teu rumo achado
em meu caso perdido?

Dá-me teus olhos
Tua visão desperta
Teu hino de vida
Tua história contada
Teu relato incontido?

Pra mim o teu vínculo
o achado o perdido
esse verde em azul diluído
e a mata onde se pisa
e a água que bebo com o corpo
e o copo
que me ofereces,amigo...
Para mim,amigo?
(Pergunto altaneira
vestida de orgulho e paixão...)

Paraty,me perdoa,não sei até hoje,como vivi e amei sem ti!!!


                                                       Por Cida Barreiros em 14/02/2011



Poema-comentário sobre o poema Para Paraty deste mesmo blog.

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sábado, 19 de novembro de 2011

Rebento

(Gilberto Gil)


Rebento, substantivo abstrato
O ato, a criação, o seu momento
Como uma estrela nova e o seu barato
Que só Deus sabe lá no firmamento

Rebento, tudo que nasce é rebento
Tudo que brota, que vinga, que medra
Rebento raro como flor na pedra
Rebento farto como trigo ao vento

Outras vezes rebento simplesmente
No presente do indicativo
Como a corrente de um cão furioso
Como as mãos de um lavrador ativo

Às vezes mesmo perigosamente
Como acidente em forno radioativo
Às vezes, só porque fico nervoso
Às vezes, somente porque eu estou vivo

Rebento, a reação imediata
A cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: "Bata"
A cada bofetão do sofrimento
Rebento, esse trovão dentro da mata
E a imensidão do som
E a imensidão do som
E a imensidão do som desse momento


Do disco Realce de 1979

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cartas de amor













Todas as cartas de amor
são ridículas.

Não seriam cartas de amor
se não fossem ridículas.

Também escrevi, no meu tempo,
cartas de amor como as outras,
ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
têm de ser ridículas .

Quem me dera o tempo,
em que eu escrevia
sem dar por isso, cartas de amor ,
ridículas.

Afinal,só as criaturas
que nunca escreveram Cartas de amor
É que são ridículas…


                                                     Fernando Pessoa

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Platônico

Filosófico,
Apaixonante,
Idealista,
Espirituoso,
Espiritualista,
Acadêmico,
Justo,
Político,
Republicano do seu jeito!
Discípulo e
Mestre!

"Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele."

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