segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Suave canção



Banda O Som da Reforma


Doce, suave canção
Luz que ilumina o meu caminho
Como um sol, me aquece, me envolve
E eu que me sentia só
Me encontro em ti
Sem receios e sem medos dou um passo além
Esse amor que me invade me faz bem

Terna canção de ninar
Em seus braços durmo qual criança faz
Que envolta no seu manto sonha em paz




Assis Furriel





domingo, 19 de outubro de 2014

A Felicidade real


Banda O Som da Reforma


Quando eu sinto medo
De enfrentar o mundo
Lembro que esse mundo é só um Lugar que a gente passa
E que a vida real está no espiritual mundo

Então compreendo que o sofrimento é tão passageiro
E que a felicidade está em mim

A felicidade não é algo pronto à buscar
Pra se alcançar assim. Não, não!
Está em a natureza de um modo geral
Nas mínimas coisas, sim.

A se revelar num beijo cândido de uma criança a brincar
Na nota afinada de uma canção de embalar o filho
No aroma, nas cores das flores que enfeitam o jardim tão bem
E no sorriso sincero do amigo que vem



Assis Furriel



domingo, 28 de setembro de 2014

Nas vespas de uma inleição


Por Hilário Soneghetti


Eu tive a infilicidade
de tê nacido na roça,
im tarimba de paióça
e cumo animá crecê,
sem nunca tê visto um livro
onde pudesse aprendê.

Eu digo sem tê vregonha:
sô fio de anarfabeto.
Tudo é bronco na famía
dês do avô, ao pai, ao neto.

Só adispois que eu vim simbora
de lá daqueles fundão,
foi que eu vim sabê o que é uma enscrita
e tive um livro na mão.

Levei mais de vinte e um ano
só pra chegá a aprendê
a arrabiscá o meu nome
a assuletrá o a b c.

Mas a curpa num é minha,
nem mesmo dos meu maió
a curpa e só dos gunverno
que gunverna esta nação,
e se esquece dos que véve
interrado no sertão,
sem tê igreja, nem tê escola,
nem sabê o que é instrução.

Nós lá só sabe o que é bicho,
feitiçaria, coisa feita,
o que é mato, o que é miséria,
o que é espinhela, o que é maleita,
o que é frumiga saúva,
jararaca, opilação,
dô de baço, sarna brava,
reumatismo e assombração.
Tudo o que é ruim nós cunhece,
só num cunhece o que é bão,
só num sabe o que é instrução!
Mais uma coisa nós sabe
muito bem: o que é in-lei-ção!

Se o sinhô quisê que eu conte,
antonce preste atenção...

Mas, vosmecês me adiscurpe
se tudo eu num vô contá;
eu só vô falá nas vespas
da campanha eleitorá.

Muito antes da inleição
a gente vai, feito besta
in riba de um caminhão
a caminho do arraiá;
quando a gente chega lá,
tem povo que nem frumiga
ameaçando saí briga
num bate-papo inferná,
em tempo de se matá!

O dono dos inleitô
leva a gente pruma casa,
e disgraça a dá café,
e, adispois, outra disgraça:
enche a gente de cachaça
até mais num se aguentá!
E daí, num ribuliço
leva a gente prum cumiço,
mode orientá os inleitô.
E aí começa a falá:
Diz que nós sêrmo o partido
que o Brasí vai gunverná,
que vamo tê benefiço
do gunverno federá,
vai tê estrada, tê escola,
igreja, porto, hospitá,
adonde os cabôco todo
suas doença vai tratá
Nós fica tudo iscuitando
tanta promessa bunita,
e, mermo adiscunfiando,
naquilo tudo acredita...

Em cada canto da praça
vê-se um grupo de inleitô
no meio de cada um deles
com três ou quatro doutô
que veio lá da cidade
cada quá que fala, mais promete,
mais agrada, mais abraça,
cada quá que mais agarante
que a partí de hoje em diante
as coisas vai amiorá! 

O só vai sê mais briante,
tê mais luz nas claridade,
vai chuvê semente e arado,
inchada, foice, machado
e justiça e liberdade:
chuvê assistênci sociá,
veterináro, tratô,
framacia, banco, doutô,
que nós tudo vai curá.
Vai chuvê medicamento,
pomada, pilas, unguento,
fortificante, atebrina,
chuvê inté pinicilina,
tudo em grande quantidade...
E ainda os dotô agarante
cum a maió cuniquição,
que adispois das inleição
vai chuvê fricidade!

Seu moço num há quem aguente
cum tanta promessa boa!
A gente cai dereitinho,
que nem pato na lagôa...

Você num pode sabê
pruquê razão é que nós crê
nos home sem coração,
que nos faz tanta promessa
nas vespas de uma inleição!...



Essa poesia era declamada por minha tia Maria Ignácia nos meus tempos de menino. Lembro que meus irmãos e eu adorávamos ouvi-la e que ríamos muito do acento caipira que ela imprimia à sua declamação e ao mesmo tempo já percebíamos o lado crítico da história citada pelo autor. Saudades desse tempo mais lírico vivido em família...

Maravilha de poesia que revela a ingenuidade e a simplicidade de um povo sofrido e explorado historicamente pelas elites deste país desde sempre!  Cabe direitinho até hoje, não?



sábado, 27 de setembro de 2014

Aniversário do blog do chico: 4 anos

Como de costume, aniversário do blog é hora de comentar sobre o seu perfil, sua trajetória e rememorar tudo de bom que rolou neste último período. A cada ano, um post especial faz essa tarefa. confira os Links de aniversário: 1 ano, 2 anos e 3 anos.

Neste post de quatro anos resolvi homenagear os amigos que comentam neste blog, trazendo suas contribuições que em muitas vezes resultam em outras postagens, quer por sua importância ou por sua influência. Nesses mais de setecentos comentários (a metade são minhas respostas) ao longo dos 4 anos, alguns amigos tornaram-se figuras constantes que seguem e curtem sistematicamente os assuntos. Outros, que por vezes passam uma única vez, deixam quase sempre também suas impressões tão comoventes que enriquecem por demais o valor dos textos aqui existentes. São eles por ordem cronológica de aparecimento:

Marcelo Brum, Deise Puga, Januário Garcia, Marcio Alves, Eliana Pichinine, The Silence of Green Fields (Deise Puga), Andrea Marzano, Ana Azedias, Matheus Felipe, Katia Gomes, Ronaldo Alves Vieira, Sonia, Cida Barreiros, Ricardo Campos, Carolina Kellesoglu, Anônimo (Fábio Mury), Alexandre Magno, Allan Furriel, João Pedro Furriel, Rita de Cassia Lopes, Deise Cordeiro, Logic - Into the Wild (Andre Campos da Rocha), Anônimo, Fabio Rey Costa, Diana Pichinine, Nelson Marques, Túlio Villaça, Tatiana Oliveira, Anônimo (Rosana Furriel), Sonya, Danielle Medeiros, Anônimo (Teresinha Pinto), Anônimo (Mauro Herson), Paulo Cesar Machado (Anônimo), Fatima Maria, Harry Goaz, Wagner Alves, Marcelo Cerri, Bassam Jr. (Anônimo), Anônimo, Abel Sidney, Rogério da Silveira Corrêa, Abdul Karim, Paulo Borges (Anônimo), Ant P (Prof. Antonio Pereira), Nazaré Laroca, Meg Rodrigues, Rafael (Anônimo), Lêka (Leila Magalhães), Zuza Zapata, David Oliveira, Dumisai (Luiz Claudio), Banda Rádio&Vinil (Marcio Alves), Pablo Cezimbra, Marcos Passini, Marielza Tiscate, p00d33m (Pedro Barcellos), Claudio Nucci (Anônimo), Botequim Social Clube, Anônimo, Rogério Santos, Andréa Sarmento, Tom, Wagner Marcelo, Llumdesign, Alex, Mauro R. Morand e Almma.

Muitos anônimos assinaram, identificando-se, enquanto outros eu descobri quem eram e ainda outros poucos não foi possível a identificação. A todos os meus mais sinceros agradecimentos pelo diálogo. Gostaria de pedir a todos que me perdoem, mais tenho que fazer uma menção especial a Eliana Pichinine que de todos é a que mais comenta e interage comigo e com meus textos. É impressionante, mas no momento em que fui buscar esses comentários e seus autores, me dei conta de como ela é constante desde o início. Passa de cem comentários, perdi até a conta. Seus comentários estão entre os que me inspiraram a outros textos. Muito obrigado de coração a Eliana, minha amiga, poetisa de mão-cheia.

Parabéns ao Blog do Chico, parabéns a todos nós!


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A poesia de Deise Puga: Ela


Ela cruza as pernas.
E o mundo está em silêncio.
O coração perde
a fala.
A palavra é
Vermelho.
Joelhos perfeitos
é pura poesia …
Ela me chama.
Ela me comunga …
Sinto que ela
Urge …
E com os olhos fechados
Na cama eu posso vê-la
sentada, pernas cruzadas,
Sedução quase infinita …
Ela é poesia morrendo
de desejo dentro de mim … 



She (english)

She crosses her legs
And the world is silent.
A heart loses
the speech.
A word is
Red.
Knees perfect
It is poetry…
She calls me.
She communes me…
I think she
Urges…
And with eyes closed
In bed I can see her
Sitting, legs crossed,
Seduction almost endless…
She is poetry dying
Of desire within me… 


 
Ella ( spanish)

Ella cruza las piernas.
Y el mundo está en silencio.
El corazón pierde
la habla.
La palabra es
Rojo.
Rodillas perfectas
es pura poesía …
Ella me llama.
Ella me comulga …
Siento que ella
urge …
Y con los ojos cerrados
En la cama puedo verla.
Sentada, las piernas cruzadas,
És seducción casi interminable …
Ella és poesía muriendo
de deseo dentro de mí …
Poesia de Deise Puga



 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Passa, hora!


há dias que o melhor
é brincar de imaginar:

enxugar gelo,
ensacar fumaça;

ver a banda passar
ao largo, de banda;

desentortar banana ou
calibrar pneu de trem;

assobiar nos furinhos
da flauta de cana
suculenta e bem doce;

ou jogar, de verdade, conversa fora
na esperança que reciclem
algo que valha a pena...

a gente, enfim, se ocupa
para que a loucura
fique ao longe
bem longe
de nós!

Abel Sidney




domingo, 14 de setembro de 2014

Composição inusitada em magenta


Vi minha mulher no mercado!


Na banca dos hortifrutis,

os vermelhos tomates,

seu vestido escarlate

e seu batom carmim,

com muito ardor na disputa,

deixavam, assim, em rubor

a face desse tímido admirador.


Assis Furriel