quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A poesia de Manoel de Barros




“A poesia está guadarda nas palavras - é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
... Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossa).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Para alegrar coração de moça

Esse texto é uma homenagem à minha esposa Rita e ao nosso casamento, que hoje completa 16 anos. Essa música do Ivan Lins marcou o início do nosso relacionamento, aliás todo o disco "Anjo de mim" de 1995. Em 5 de agosto deste ano, começamos a namorar. Convidei-a para me ouvir cantar com meu grupo num bar do Estácio e dali já rolou uma história musical entre nós. Passamos alguns dias juntos embalados pela JB FM, que maravilhosamente nos ofertava um repertório de primeira, noite a dentro. A história é recheada de fatos e detalhes marcantes que serviram como pano de fundo. No Aptº da Hilário de Gouveia, onde eu me escondia na época, já na madrugada do dia 6, do nada, ela lembrou do aniversário da bomba de hiroshima e, triste pela tragédia, pensou no nosso amor (ou ainda paixão) como uma grande bomba da paz e do amor. Lembrei de Gil e Donato com seu "Japão da Paz" e cantarolei pra ela "uma bomba sobre o Japão, fez nascer o Japão da paz"*.
 "Para alegrar coração de moça" era a mais tocada nas madrugas, embora não fosse o seu carro-chefe. Apaixonados que estávamos, apaixonamo-nos pela música também. Logo, ela me presenteou com o CD, que é lindo e virou o nosso disco. Então, tínhamos a nossa música e o nosso CD. E assim é até hoje. Sempre que comemoramos ou sentimos vontade de recordar o nosso início, a gênese da nossa relação, ouvimos o disco.


O CD



A música

De  Ivan Lins & Salgado Maranhão




(*) A paz (Leila 4) Gilberto Gil /João Donato

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Canção do exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia
Onde cantam gaturamos de Veneza
Os poetas da minha terra
São pretos que vivem em torres de ametista,
Os sargentos do exército são monistas, cubistas,
Os filósofos são polacos vendendo à prestações.
A gente não pode dormir
Com os oradores e os pernilongos
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
Em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
Nossas frutas são mais gostosas
Mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
E ouvir um sabiá com certidão de idade !


                                                                 Murilo Mendes


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Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase tem mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo


                                                    Oswald de Andrade


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Nova canção do exílio

Um sabiá na palmeira, longe.
Estas aves cantam um outro canto.
O céu cintila sobre flores úmidas.
Vozes na mata, e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz: um sabiá, na palmeira, longe.
Onde é tudo belo e fantástico, só, na noite, seria feliz.
(Um sabiá, na palmeira, longe.)
Ainda um grito de vida e voltar para onde tudo é belo e fantástico: a palmeira, o sabiá, o longe.



                                                                  Carlos Drummond de Andrade

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Sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá

                                                (Tom Jobim - Chico Buarque/1968)


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Uma canção

Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes...
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra "onde"?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio!



                                                  Mário Quintana



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