segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bela, Bela


Ferreira Gullar e Milton Nascimento

Bela, bela
Mais que bela
Mas como era o nome dela?
Não era Helena, nem Vera
Nem Nara, nem Gabriela
Nem Tereza, nem Maria
Seu nome, seu nome era
Perdeu-se na carne fria
Perdeu-se na confusão
De tanta noite e tanto dia
Perdeu-se na profusão
Das coisas acontecidas
Constelações de alfabeto
Noites escritas a giz
Pastilhas de aniversário
Domingos de futebol
Enterros, corsos, comícios
Roleta, bilhar, baralho
Mudou de cara e cabelos
Mudou de olhos e riso
Mudou de casa e de tempo
Mas está comigo
Perdido comigo
Teu nome
Em alguma gaveta

(Milton Nascimento/ Ferreira Gullar - música gravada no disco "Caçador de mim de 1981)

Ouça a música
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Para Paraty


Foto: Assis Furriel 

Para ti
Para mim
Para nós
Para os outros
Para os casais
Para os amores
Para todos
Para a música
Para as pedras
Para a história
Para as portas
Para as janelas
Para a cor
Para o casario
Para o céu
Para o mar
Para a maré
Para o sol
Para a chuva
Para o tempo

Pára o tempo!
Para ver
Para sentir
Para viver
Para sempre
Paraty


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Direitos Humanos em debate

Perspectiva universalista e multiculturalista dos 
Direitos Humanos e as tradições locais 


A filósofa Martha Nussbaum afirma: “que existe uma obrigação universal de proteger os direitos fundamentais do homem e sua dignidade, assim como de reconhecer que a dignidade da mulher é igual a do homem. Se isso implica por em questionamento muitas tradições locais, ocidentais ou não, tal não tem importância, pois cada uma dessas tradições que negam esses direitos é injusta”. 

Essa afirmação de Martha Nussbaum considera a questão universal dos direitos humanos acima de qualquer cultura, religião e tradições locais. Embora a perspectiva universalista e multiculturalista dos Direitos Humanos aborde uma efetiva proteção do direito à diversidade cultural, no âmbito internacional, muitas violações desses mesmos direitos tem ocorrido em nome de uma cultura específica qualquer. No caso das religiões mulçumanas, por exemplo, as mulheres são as vítimas mais freqüentes e sofrem caladas em nome de uma tradição que historicamente a subjuga. A questão da afirmação da igualdade de gênero ainda hoje é uma questão de difícil solução. Por toda parte, em qualquer cultura, o tratamento dado às mulheres é inferior ao do homem. No ocidente, o machismo contribui para o tratamento desigual entre ambos os sexos; no oriente, em geral, o fundamentalismo religioso promove um conjunto de cerceamentos que a mulher tem que aceitar. 

É preciso refletir bastante sobre as formas, claras ou sutis, de desrespeito aos direitos fundamentais do homem, consolidados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A questão é saber hierarquizar os direitos para que um modo legitimado de vida não prejudique os direitos de cada indivíduo, independente de sexo, raça ou cultura.



Ouestão trabalhada numa aula de Direitos Humanos (Tema Transversal) - 2º semestre de 2010.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vanessa da Mata Multishow Ao Vivo (2009)

 


       Simplesmente encantador o som e a performance desta matogrossense de Alto Garças. No seu disco ao vivo, ela é a senhora de si e de todos. Vanessa traz consigo o que,  já há algum tempo, trouxe Marisa Monte: personalidade e originalidade à cena pop musical brasileira. O disco (tb em DVD) gravado em Paraty apresenta uma atmosfera leve, romântica e colorida. A cantora conseguiu misturar, com muita propriedade, ritmos como samba, reggae, canções etc, dando um show de simparia junto a uma banda igualmente competente. Desfila por seus grandes hits como "Ai, ai, ai...", "Ainda bem", "Amado" e "Boa sorte/Good luck" entre outros com empenho impecável. Chamo a atenção para o samba "Viagem/ Mamãe passou açúcar em mim". Sempre que ouço ou vejo o vídeo sinto vontade de sambar, batucando um tamborim.

Vanessa da Mata se parece com ela mesma e mais ninguém. Ares novos à MPB.

"Que beleza de paisagem!"


Viagem/ Mamãe passou açúcar em mim
 
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Poema sobre poema

Cupido enamorado

Flechada visceral
cintila a enamorada
alma

Fagulhas escondidas
espreitam você

Mantêm a distância
necessária

de quem
não é correspondido




Comentário

Alma ferida,na carne refulge
qual espelho em fagulhas;
cintilante deslumbramento.
Assim corresponde Amor
e Narciso divididos.
Carne e Alma
se enganam
escondendo-se da própria
sombra




Poema de Eliana Pichinine e comentário de Cida Barreiros



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Vou pra Minas!


Fogão da roça dos meus amigos Adriana e Julio

      Depois da praia e do sol escaldante, vou para o interior. Vou para as montanhas, pra lá de BH. Visitarei os sítios e as roças, comerei a comida que adoro e que só lá encontro do jeito que gosto, típica do fogão de lenha. Tomarei a pinga do alambique, cheirando ainda à garapa da cana. Da estrada mesmo, verei as paisagens das montanhas e respirarei os ares de Minas, que só lá entende-se os seus mistérios. Logicamente, irei cantando em voz baixa, as músicas dos mineiros do Clube da Esquina, de Milton e seus parceiros. Vou, mas volto, que do Rio, não me afasto por muito tempo. Nem mineiro larga o Rio.

Inté!



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Blogueiro de férias

       Aproveito a brecha do tempo entre o sol e o creme hidratante e corro para um computador mais próximo para dizer o quanto esse ofício de escrever me tem feito falta. Estar de férias é como ser um estrangeiro em sua própria terra. Sinto falta das coisas simples, como meu sofá e meu controle remoto; meus discos e meus devedês; o som que ouço no carro a caminho do trabalho entre tantas outras que a gente sempre reclama e que se acostuma. Como diz a Marina Colassanti: a gente se acostuma, mesmo não devendo.

O bom é que esse incômodo logo passa, assim que abro uma latinha bem gelada de cerveja e me sento de frente ao mar, contemplando o horizonte. O mar é bom e me faz bem!

Volto em fevereiro.