segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bela, Bela


Ferreira Gullar e Milton Nascimento

Bela, bela
Mais que bela
Mas como era o nome dela?
Não era Helena, nem Vera
Nem Nara, nem Gabriela
Nem Tereza, nem Maria
Seu nome, seu nome era
Perdeu-se na carne fria
Perdeu-se na confusão
De tanta noite e tanto dia
Perdeu-se na profusão
Das coisas acontecidas
Constelações de alfabeto
Noites escritas a giz
Pastilhas de aniversário
Domingos de futebol
Enterros, corsos, comícios
Roleta, bilhar, baralho
Mudou de cara e cabelos
Mudou de olhos e riso
Mudou de casa e de tempo
Mas está comigo
Perdido comigo
Teu nome
Em alguma gaveta

(Milton Nascimento/ Ferreira Gullar - música gravada no disco "Caçador de mim de 1981)

Ouça a música
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3 comentários:

  1. Às vezes as lembranças são mais belas do que a própria importância atual de uma ou mais pessoas em nossa vida.
    Aquela gaveta fica sendo a oportunidade de reflexão sobre as escolhas que fizemos.Que venham as gavetas...

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  2. E às vezes essas lembranças saltam das gavetas, implorando-nos uma busca, um resgate dos nomes daqueles que já não se fazem mais presentes. Nós também não somos mais os mesmos de outros tempos e seria preciso resgatar algo de nós que ficou lá no passado. As lembranças, em geral, são mais belas mesmo, porque são idealizações, que muitas vezes nos salvam dos sentimentos nostálgicos.

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  3. É verdade. Muitas vezes, as lembranças são mais interessantes do que a importância atual das pessoas que já passaram na nossa vida. Mas são essas lembranças, fruto das nossas escolhas, que nos fazem ser o que somos e/ou o que um dia fomos e de pensar sobre o que queremos ser no futuro.

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