sábado, 30 de janeiro de 2016

Ausência

Por que, diante de tantas vivências, de tantos assuntos importantes ou não, passamos por momentos de ausência de inspiração? Será que é o cansaço do dia-a-dia? Penso que isso seja uma possibilidade. Todos, inclusive os grandes escritores, compositores, artistas, passam por esse mesmo problema. Uma outra coisa que considero é a dedicação devida como um compromisso. Por exemplo, escrever pelo menos uma vez no mês no blog ou ler um livro por semana. Penso que se tivermos esse compromisso, na hora em que pararmos para fazer o dever, daremos um jeito. Como estou fazendo agora. Então, o assunto vem. Nem que seja falar da própria questão da ausência de um modo geral. Fazer algo por encomenda costuma funcionar. Eu gosto.

Ausência de Deus, ausência de memória. Ausência, contrário de presença. A ausência é algo que serve até para medirmos a importância de alguém ou algo. Muitas vezes é preciso sentir a falta para darmos conta do devido valor.

Por outro lado, o Branco, a lacuna, o esquecer-se têm seu lado bom. Funciona como uma bolsa que precisa ser enchida aos poucos para poder se expandir. O sossego do ócio, do não fazer nada, é necessário para a criação.

Portanto, terei que me ausentar agora e dormir. Quem sabe amanhã, ou melhor, hoje pela manhã, acorde cheio de ideias boas em minha sacola. Boa noite.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Macaréu, o pulo de Eliana Pichinine

Lançado no último dia 12, Macaréu é o segundo livro de poesias da escritora e poetisa Eliana Pichinine. Como o título sugere, nos parece que a autora dá os seus saltos por sobre as ondas da pororoca, como alguém que sobressalta os obstáculos da vida. Para Eliana, deve ser como uma competição interna de quem vive a pensar na próxima onda a vencer. Ela mesma admitiu ser Macaréu o seu pulo.

Essa ideia é confirmada pelas poesias de cores mais misteriosas como em “Conto de sereia”, que abre a obra. Neste poema, Eliana nos traz uma bela imagem poética meio mágica, meio folclórica, apresentando o personagem em terceira pessoa. Depois nos mostra este mesmo poema visto em primeira pessoa, o que pra mim bateu como uma agradável surpresa. Gosto dos temas vistos por diversos ângulos, por diversos focos... Ela fez o mesmo com outros três.

Ainda assim, como em Retrós, seu livro de estreia, continua sendo a autora de versos curtos, mexendo com os significados das palavras, com seus sons e com as ideias que essas se nos apresentam. Poemas como “Autoconhecimento”, “Gema e Clara”, Céu pensativo”, “XL” (Telhado de vidro), Flores azuis (memórias) “Trato” e “Guilhotina do amor” nos dão a certeza do grande pulo, do grande salto em busca de outras possibilidades de se exprimir, sem perder suas marcas características, é claro. Sua poesia “XLII” resume o que digo: “O que sinto é múltiplo e simples”. “Macaréu”, o poema que fecha a obra, é de um lirismo que emociona. Só lendo e sentindo. Bem-vindo o novo rebento!

Parte deste pequeno texto preenche uma das orelhas do livro, o que para mim é uma honra e tanto. Obrigado pela amizade e pela admiração, Eliana. O livro ainda contou com outro texto de orelha do amigo Nelson Marques, prefácio de Claudia Manzolillo e a linda capa feita por Mari Mari Tiscate.

Serviço
PICHININE, Eliana. In: “Macaréu”. Porto Alegre: Vidráguas, 2015 - à venda na Livraria Sabor Literário, Rua Conde Bernadotte,26 - na galeria do Teatro Leblon, Rio de Janeiro
Link para compra online

domingo, 29 de novembro de 2015

Djavan - Vidas pra contar

Parece que foi ontem que ouvi pela primeira vez o Rua dos Amores, de tão vivo que ainda está o disco em minha cabeça e também pelo sucesso da turnê pelo Brasil. Mas, o fato é que o disco é de 2012 e para um artista como Djavan, que compõe músicas como quem cria verdadeiros filhos, três anos é tempo de sobra pra se ter a vontade de criar coisas novas. Por isso, o novo trabalho Vidas pra Contar vem preencher essa saudade do músico compositor.

Decididamente, Djavan é um dos meus artistas favoritos da boa música. Elegante e moderno como sempre, o compositor nos traz a mesma receita que pontua em toda a sua carreira. Músicas de vários ritmos, como o forró que abre o disco, Vida nordestina, a bossanovista Encontrar-te, as canções Primazia e O tal do amor, as jazzísticas Se não vira jazz e Enguiçado, o ótimo samba Ânsia de viver, a "salsa" Aridez... por aí vai.
Traz o pop também sempre presente, como a “música de trabalho” Não é um bolero que de cara nos mostra a sua assinatura. Outra marca que sempre o acompanha é o ritmo "funqueado" que ele impõe em Só pra ser o sol.
É sempre assim e é sempre novo. Incrível como o artista envelhece e torna-se sempre melhor. Sua voz mais madura, com graves mais acentuados nos faz acompanhá-lo à medida que vamos aprendendo a música, com a alegria de uma  boa e agradável nova descoberta.

Demorou, mas já dava pra prever uma merecida homenagem do músico à sua mãe em Dona do horizonte. Há muito tempo Djavan conta sua história e a importância de sua mãe nas influências que teve. Nos últimos tempos, isso ficou mais intenso e então veio a balada que conta um pouco dessa influência materna. Linda homenagem!

Também pra não deixar de ser Djavan, o disco apresenta a enigmática Vidas pra contar que dá nome ao trabalho. Linda demais como todo o disco.

Cabe citar aqui algumas coincidências do autor com este que vos fala. Antes mesmo de ouvir as músicas deste disco, já havia reparado no título da música "Aridez" que é o título de um poema meu, publicado aqui há algum tempo. Depois de ouvir, não achei que fosse muito a cara do meu poema, embora o tema fosse o mesmo. Não a seca material, mas a do amor. Fiquei feliz em saber dessa coincidência. Ouvindo o disco, reparei em outra muito mais especial que é a música "Dona do horizonte". Bem no início da criação desse blog, escrevi o breve texto o "Pequeno cantor", que é um pouco dessa história que Djavan conta da mãe, só que em um viés oposto. Essas coisas nos emociona ainda mais.

Djavan se mostra mais uma vez como sempre foi e sem ser repetitivo. Continua parecendo um garoto. Popstar, com brilho e vontade de gente nova. É como um doce de coco que se come e não se enjoa! Como um bom vinho. Quanto mais velho melhor!


Djavan – Vidas Pra Contar (2015)

1. Vida Nordestina
2. Só Pra Ser o Sol
3. Encontrar-te
4. Primazia
5. Não é um Bolero
6. O Tal do Amor
7. Aridez
8. Vidas Pra Contar
9. Enguiçado
10. Se Não Vira Jazz
11. Dona do Horizonte
12. Ânsia de Viver

Confiram outras novidades no site do artista:



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pausa

Da razão sinal-ruido
Fico com o silencio

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sonho bom

Acabei de acordar de um sonho bom.
Pela primeira vez me acontece
Sonhei que me olhava no espelho e
Reparei a cara de meu filho
Pensei no sonho: _Caramba, como estou parecido com ele
Fiquei feliz. _Ora, meu filho é um jovem bonito e que eu adoro, obviamente.
A primeira estranheza foi a barba que não mais havia em mim. Pensei: _Engraçado, eu apenas a aparei. Como sumiu toda?
Rapidamente, aquela imagem que era eu semelhante ao meu filho, o que também não deixa de ser uma grande novidade, pai parecer com o filho, foi se mostrando verdadeiramente ele. Não era mais a minha imagem no espelho. Era, de fato, meu filho o meu reflexo.
Freud explica? Não sei, talvez.
Só sei que fiquei surpreso e muito feliz
Minhas rugas sumiram no rosto dele.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Uma menina

Ao longe vejo a menina a brincar
Solta e sem sobressalto, corre pra lá e pra cá
Cabelos negros, cheios e longos esvoaçam ao vento na praça
Seu suor e seu ar angelical depõem quanto a ingenuidade de quem não tem e não faz juízos
O que os que a guardam, os que passam apressados, 
Os que nela reparam a graça infantil e, com certeza, ela mesma não sabem
São suas demandas futuras de mulher...




Tábua de salvação

Seguro-me em você
Que me sustenta qual uma rocha sólida,
Um monolito imponente a me erguer das quedas constantes

Me encosto a você como a uma parede
Uma colossal parede a se escalar, quase lisa, sem frestas ou agarras
Mas que tenho que subir e conquistá-la a todo preço e suor
Magnânimo é seu amor, generoso é seu afeto
A minha tábua da salvação vale a vida