sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pink Bar, o bar do Zé

Reprodução bem aproximada do logotipo
É isso mesmo, o bar era cor-de-rosa. Cor-de-rosa e preto. A história é longa e cheia de detalhes curiosos. Éramos um grupo de amigos que entre os anos 80 e 90 nos reuníamos para tocar e cantar, sair para shows etc. Morávamos em São Cristóvão e nos concentrávamos preferencialmente na casa do Zé Renato, cuja enorme família era festeira e ainda reunia outros agregados. Fizemos altas festas e churrascos entre inesquecíveis jam sessions. Tinha o Luiz (meu grande parceiro já apresentado por aqui), o Jorginho (irmão do Zé), o Mirinho, Marcio e Marcelo (irmãos do Zé), o Abel (irmão branco, meio adotivo, do Zé) e outros mais novos e mais velhos da turma, filhos e amigos da família.

Parte da turma, a partir da esquerda:
Zé, Jorginho, Tom, Assis, Luiz e Mirinho num daqueles churrascos.

Duro e sem emprego, um dia o Zé Renato virou e falou: _vou abrir um bar. Pensamos, “que legal, vamos ter um point e dar um sossego pra Tia Carmen e pro Tio Jorge”, respectivamente mãe e padrasto do Zé. Foi mais ou menos o que aconteceu, embora duvide muito que D. Carmen ou Seu Jorge (mãezona e paizão) se incomodassem conosco. 

Quando, enfim, o Zé arrendou o bar, ou melhor, o boteco, ou ainda, o pé-sujo, fomos até lá pra ver. Nosso “point” parecia ter saído dos anos 50/60, direto do túnel do tempo. O bar tinha aquele estilo pequeno com balcão enorme. Aqueles do tipo português, enorme, revestido de fórmica com listras coloridas, formando uma espécie de S que ocupava quase todo o pequeno espaço do salão, ou melhor, salinha. Beleza! De dia, o Zé ralava com seu fiel escudeiro Aécio, servindo rango pra uma clientela que já frequentava o local e à noite, passávamos por lá pra bater papo e, obviamente, tocar algo despretensioso: um voz&violão e uma caixa de fósforo. O fato é que um público que costumava chegar pra uma cerveja de fim de expediente e mais uns alunos que estudavam nos dois colégios colados ao bar chegavam e ficavam curtindo a gente.

O Zé com seu faro comercial, mais uma vez teve um insight e sugeriu: Por que não plugamos isso tudo, organizamos um setlist e mandamos ver. É nossa hora de curtirmos um som com público e tudo mais. A coisa que era feita de qualquer modo, precisou de organização e um pouco mais de seriedade. Logo, ficamos somente Luiz, Mirinho e eu com a incumbência, porque, apesar de todos fazermos um barulho bacana, os demais acabaram roendo a corda. Então, nasceu ali o trio formado pelo violão do Luiz, a percussão e o backing do Mirinho, a minha voz e a pandeirola que eu também fazia. A coisa pegou de um jeito tal, que demorou muito pouco tempo, talvez um mês ou dois pro Zé parar tudo pra uma boa reforma. O público não conseguia se acomodar, porque o balcão ocupava mais da metade do bar e a banda, o resto. O público que se conformasse com a calçada! Ora, sejamos razoáveis, o público merece um pouco mais de carinho, né?

Pois bem, paramos um tempo. A reforma liderada pelo Zé e capitaneada pelo Seu Jorge, mestre de obras dos melhores, avançou com uma velocidade que só perdia para a pressa de um público de amigos que não queria esperar muito pela volta. Afinal, naquele tempo, o bairro estava escasso de lugares com boa música, bebida e amigos. Como, aliás, ainda hoje é. Diga-se de passagem, São Cristóvão nunca teve essa vocação musical.

Logo, passamos a discutir todos juntos a cara que teria aquele novo espaço (sim, porque nos sentíamos todos meio donos do pedaço). O bar tinha um nome, que realmente não consigo me lembrar direito. Era um nome meio pomposo e que não tinha nada a ver com os nossos propósitos (acho que era Apollo). Estava difícil decidir por um novo nome. O jeito foi avançar com as obras e deixar pra depois o batismo. Quando decidimos pela cor, o nome apareceu. Então, temos que explicar primeiramente o porquê da cor. O bar era um local sem cor, sem estilo, um design decadente e velho. Pra se ter uma ideia, do lado de dentro do balcão havia umas grades que serviam de assoalhos e que dava aos que serviam uma elevação em relação ao público atendido porque o balcão era alto e volumoso. Era uma coisa antiga. Isso tudo era estranho pra uma turma mais jovem e descolada. Queríamos também que as meninas aparecessem e não somente os bebuns de final de turno. Éramos também um grupo de jovens negros, alguns grandes e fortes outros nem tão negros, nem tão fortes, como eu. Só marmanjos! Isso assustava um pouco os brotinhos, pensávamos. Alguém, que não me lembro direito quem, acho que foi o Bira, o mais velho dos não sei quantos (eu sei) irmãos do Zé, sugeriu com coragem; _Pinta de rosa. Vai chamar a atenção de todos. _ Pensamos que poderia mesmo suavizar o visual e atrair mais gente sem medo. _Mais, caramba, rosa é sacanagem. - Afinal, a cor-de-rosa era uma cor muito feminina e, apesar do pessoal não ter nenhum preconceito, achamos que seria uma cor muito enjoativa. Precisávamos de uma composição. Alguém falou: por que não mistura com preto? Vai contrabalançar. Beleza. Gostamos. Resolveu-se que todo o teto seria pintado de preto, descendo pelas paredes, pelo menos uns 40 centímetros. Daí o próprio Zé decretou: _Vai se chamar Pink Bar. O Bira, que era bom de desenho, bolou o logotipo que foi pintado nas duas paredes laterais do salão em preto sobre o rosa. Resumo da ópera (ou melhor, da obra). A retirada daquele dinossauro lusitano do meio do espaço resultou numa ampla área que não podíamos perder mais. O Zé optou por um balcão mínimo, de alvenaria coberto por uma pedra simples e bonita de mármore. Um balcão slim. Pôs um piso moderninho e o bar comportou umas dez ou doze mesas no máximo. Pouco? Sim. Mas, diante das três ou quatro de antes, pra nós era como um Canecão. O Zé, muito esperto e de bom gosto, conseguiu gastar pouco e deixar o lugar aconchegante com uma luz indireta bem bacana. Cool o bastante, para agradar um público mais exigente e ainda continuava servindo os peões (que estranharam um pouco, mas continuavam com fome) durante o dia com a comida que o valente cozinheiro (que eu não me lembro quem era) preparava, sempre com o auxílio luxuoso do nobre Aécio, nosso amigo de infância.

A reforma deve ter durado um mês ou um pouco mais. Foi rápido, porque o bar tinha que faturar. Enquanto isso, o trio rebuscava seu repertório e ensaiava para uma estréia de gala. Fizemos um pequeno estandarte, de fundo preto (pra sobressair sobre o rosa), tudo combinando. Éramos fashion agora. Precisávamos pensar em tudo.

Chegou o dia da reinauguração do bar do Zé e a inauguração de um novo espaço cultural-musical no pedaço. Todos nós tínhamos muitos amigos por ali. Afinal, nascemos no bairro e já fazíamos música de algum modo. Durante a febre do RockBR dos anos 80, o bairro recebeu uma chuva de bandinhas de rock que se apresentavam nas festas dos clubes, nas casas de amigos e, principalmente, nas festas de rua, como as dos meses do São João. Havia uma galera grande que gostava e que estava por ali meio de bobeira. A novidade é que o espaço seria reservado para a boa MPB e no máximo alguns rocks mais cabeças da safra de bandas brasileiras. Muita gente dessa galera chegava para canjas. Amigos baixistas, guitarristas e bateristas sempre apareciam, menos vocalistas, o que me obrigava a me esgoelar horas. Nosso setlist continha mais de 70 músicas, e o som rolava até a madrugada, entremeada com alguns minutos de música ambiente de primeira.

Estreamos com casa e calçada cheias. As mesas eram todas ocupadas com turmas de vários lugares. Gente que trabalhava ali por perto trazia pessoas de outros bairros; casais, turmas de amigos, as nossas famílias. O pessoal que chegava mais tarde estacionava na rua, em frente ao bar, que era aberto em toda a sua largura e continuava sentado em seus carros ou motos, formando uma pequena massa do lado de fora. Alguns, mais chegados, improvisavam churrascos na frente e consumiam a cerveja do bar. 

Ganhei uma fita K7 de uma amiga de trabalho do disco Pegadas do Zé Renato (cantor), que eu adorava. Levei para o Zé Renato (do bar) e ele também curtiu muito e tocava sempre nos intervalos dos sets. Aquela fitinha marcou também aqueles momentos como uma trilha sonora. Hoje em dia, sempre que ouço o CD, lembro do bar e do Zé (o do bar). Tenho o K7 guardado comigo até hoje.

Costumava passar por lá também durante a semana, quando voltava do trabalho. Ficávamos pensando em novidades para a sexta. Pensando em músicas novas e impactantes. Uma vez, estava chateado com algo que não me lembro. O dia não foi bom mesmo. Quando cheguei, não demorou muito, uma corda do violão arrebentou e enquanto o Luiz trocava por uma outra nova, eu resolvi cantar à capela, somente com a marcação do Mirinho, uma música do Martinho da Vila. Era "Disritmia". Foi um sucesso! Outra vez, resolvemos apresentar "O Caçador" do disco do tênis do Lô Borges. Levávamos algumas coisas bem diferentes e inesperadas, como "Minha Superstar" do Erasmo. A mulherada adorava, porque o refrão romântico dizia: "Ela é minha superstar, mulher de brilho farto, que eu sempre hei de ver brilhar no palco do meu quarto". Isso era pegajoso. Pegava fácil e era bom de cantar.

O Zé adorava algumas coisas e forçava a barra pra gente tocar. Infelizmente, algumas não conseguimos levar, como "Não se apague essa noite", também do Lô, que ele adorava e cantava como se estivesse ajoelhado à frente da amada, bem dramático: "Por favor não se apague essa noite, você tem que provar do meu sangue". 

Jorginho, Luiz, o violão, Zé Renato e eu acampando.
Mirinho deu peti e foi embora.
No repertório, uma seleção mais que eclética: O pessoal do Clube da Esquina, começando pelo Milton, Beto Guedes, Lô Borges, Flávio. O Rei Roberto e seu amigo Erasmo. Tim Maia, Hyldon, Cassia Eller, Chico Buarque, Djavan (o nosso preferido), Caetano, Legião, João Bosco, Gonzaguinha, Kid Abelha, Paralamas, Ivan Lins, Barão, Luiz Melodia, Martinho da Vila, Bossa Nova, Gilberto Gil etc. Gostávamos de tocar muita coisa tipo lado B para sair um pouco do comum. Para os mais novos, lado B, remete ao lado “menos importante” do disco de vinil – LP que há anos atrás reinava absoluto.

Essa experiência me marcou demais. Foi uma das coisas que fiz na vida que mais me deu prazer. Pelo menos dois anos cantando publicamente e me descobrindo capaz de fazê-lo. E mais, a galera gostava e eu me descobria ali um cantor profissional, porque era num bar que recebia um público que pagava, embora não cobrássemos do Zé (se cobrássemos não duraria dois anos). Formamos uma verdadeira confraria, irmanados sob um único objetivo: a devoção pela música e pela amizade.

Em pouco tempo criamos um point mais que bem sucedido pela popularidade. O som rolava todas as sextas às 8 da noite e ía até onde aguentavam as nossas forças e nosso tesão: quase sempre às 2h da manhã e durou de 1993 a 1994. Atualmente, em época de super exposição, sinto não ter sequer uma fotografia da gente no bar ou uma fitinha cassete que seja. Ficou somente na memória de quem viveu aqueles momentos. Foi um grande barato e que devemos ao empreendedorismo do Zé Renato, meu grande amigo que se foi e a quem dedico a música “Clube da Esquina 2” que ele gostava muito e que me remete a um desejo de renovação, porquanto, apesar do tempo não parar, os sonhos nunca envelhecem. Perdoem-me o lugar comum, mais é a mais pura verdade.




Clube da Esquina 2




Não se apague esta noite - Lo Borges






Serviço:

Pink Bar
Rua São Januário, 311/loja - São Cristóvão
Proprietário: José Renato Farias
Happy Hour: MPB ao vivo
Assis – Voz
Luiz Claudio – Violão
Mirinho – Percussão
Canjas dos amigos
Todas as sextas-feiras a partir das 20h.
Couvert opcional (sempre doado ao bar)
Cerveja gelada, bebidas diversas
Petiscos variados bem servidos







28 comentários:

  1. Assis, a gente passa uma boa parte da vida construindo história e não somos capazes de perceber, porque na realidade estamos trabalhando no plural e não no singular. Isso é roteiro para um video. Januario

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    1. É isso Januario,

      Eu concordo contigo. Mas não tem como ser diferente. Ou você vive e observa ao mesmo tempo pra contar mais tarde, ou você só observa e não vive pra contar na hora e perde o bom da convivência entre amigos. Prefiro contar depois do tempo passado. Em geral, preciso desse distanciamento, porque pra mim é fundamental viver a experiência!

      Grande abraço e bom vídeo! Ou sessão de fotografia?

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  2. Assis,

    Como sempre relatando fatos do cotidiano com uma leveza que é contagiante. Fico imaginando os detalhes das cenas e dos personagens. É como se estivesse lá também. E que os sonhos não envelheçam....

    Grande bj!

    ps; Deu vontade de ter vivido esta fase.

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    1. Eliana,

      não sei se concorda comigo, mas depois de um tempo escrevendo e recebendo tanto retorno, a gente acaba escrevendo para pessoas em especial. Não sei se notou, mas em alguns casos de textos que escrevo, aponto os links para alguns amigos. Como foi o caso desse, porque a história toca fundo a muitos desses. Posso dizer que você se inclui em quase todos os meus escritos, porque é uma observadora atenta e uma admiradora, como sou também de seus trabalhos. Sinto muita felicidade por poder trocar contigo tantas emoções em forma de relatos e poesias.

      Obrigado pela companhia.

      Grande beijo.

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  3. Caraca meu amigo...bateu uma saudade agora...são coisas p/ ficarem na memória mesmo..muito bom o nosso Bar Rosa..valeu pela lembrança...bjs e feliz 2014 p/ vc e família...bjs especial na D. Yolanda..

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    1. Pois é, Andrea,

      apontei o link desse texto pra você também, por você ter curtido um papo meu com outro amigo sobre esse assunto e a sua curtida foi justamente porque você conhece e viveu aquele tempo, conhecendo o bar, o Zé e a rapaziada. Você e o Paulo faziam parte daquele pessoal que eu citei das bandas de rock do bairro que foram tão importantes pra gente na época. Tantas histórias... Né?

      Obrigado pela mensagem. Espero que volte mais vezes nesse espaço e navegue por aqui, procurando algo que curta. Não sei se já tinha vindo, mas encontrei um modo de expressão: o blog do chico. Volte sempre e feliz ano novo pra todos daí também! Bjs,

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  4. O AMIGO 'SUMIDO' Francisco De Assis Furriel, RSRSRSR, COM EXTREMA SENSIBILIDADE REMETEU-ME AOS IDOS DO ANOS 90, ANOS ESTES QUE FORAM DIVISORES DE ÁGUAS NA MINHA VIDA.
    O MARCO DA CRIAÇÃO DO BAR DO SAUDOSO ZÉ RENATO, É ASSIM QUE ELE GOSTAVA DE SER CHAMADO, AGREGOU TANTA GENTE E MISTUROU PESSOAS ÁGUA E ÓLEO QUE, SINCERAMENTE, FELIZ DO HOMEM QUE TEM A OPORTUNIDADE DE CONVIVER COM PESSOAS DE DIFERENTES PERSONALIDADES SEM QUE ELAS SE MISTUREM CONSERVANDO ASSIM SUAS INDIVIDUALIDADES.

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    1. Olá Tom, meu amigo igualmente sumido (Rsrsrs...)!

      Que bom ler seu comentário. É isso aí! O bar tinha essa característica também. Reunia gente de muita personalidade e opinião sem que isso comprometesse a harmonia. Era a atmosfera do local, muito provavelmente pelo estilo do seu dono.

      Abração

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  5. Rapaz, que coisa! Foi exatamente nessa época, final de 94, que te conheci, no ano seguinte moramos juntos por mais de seis meses e nunca ouvi essa história. Mesmo assim , não tendo ouvido e muito menos vivido, deu pra sentir o sabor das boas histórias que marcam e ficam, pra serem lembradas depois. A vida tem muitas assim, o engraçado é que quando as estamos vivendo, quase nunca sabemos o quanto vão nos marcar.

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    1. É verdade Marcos,

      inclusive fiz um comentário acima, em resposta ao Janu, sobre essa coisa de viver e perceber. Acho até que a gente percebe. Mas, somente com um tempo se pode dissertar melhor sobre.
      Não comentei, porque nessa época que comentou eu estava envolvido com outros interesses e ainda tudo era muito recente. Com a experiência do blog, tenho tido oportunidade de pensar em histórias boas pra se contar.
      O Zé Renato desencarnou em 99 e desde então, precisava falar sobre ele de algum modo.

      Bom te ler por aqui, Marcos. Volte sempre.

      Abração, meu irmão.

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  6. Eu cheguei a ver você, Luís e Mirinho tocando juntos num bar do Estácio, mas foi por pouco tempo, lembra?

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    1. É mesmo!

      Nem me lembrava disso. Aí já foi o início de uma outra história: a do meu caso com a Rita. Foi a primeira vez que saímos. Ela foi me ver cantar e não parou mais de ouvir. Nem sei se se arrependeu disso.

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  7. Então, Assis, no meu comentário anterior, o qual não sei como não consegui postar (devo ter feito algo errado), eu estava dizendo que não cheguei a conhecer o referido bar, apesar de ser um perambulante habitual pelos bares à procura de boa música, muitas vezes com o violão debaixo do braço. Lamentavelmente não conheci, pois tenho certeza que me tornaria um frequentador assíduo. Dizia, também, que sua história, escrita com muito esmero (o que é desnecessário dizer), me remeteu a uma fase que vivi, um pouco antes, em meados dos anos 80, quando frequentava um bar chamado "Janelão", na Rua João Pinheiro, na Piedade. Eu, ainda engatinhando no violão (embora não tenha aprendido a tocar direito ainda), mas enganava no vocal, junto com meus amigos Xexéu e Nelson (o flautista, lembra dele?), tocávamos a noite inteira a troco de cervejas. Enfim, são histórias de um tempo em que se era mais jovem, mais livre e mais feliz pois se sonhava mais. É uma nostalgia boa, e por mais que queiramos reviver esses momentos, dificilmente será a mesma coisa. O bom é saber que só conta história quem tem história. Parabéns pelo texto e obrigado pela experiência relatada. Um forte abraço.
    Rogério

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    1. Valeu, Rogerio. Obrigado pelas palavras carinhosas.

      Sabia que iria gostar e se identificar, pois são histórias comuns a muitos mesmo. Volte sempre!

      Grande abraço

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  8. Assis,
    São momentos que marcam realmente nossas vidas.
    Em 1993 trabalhava no Bar, mas infelizmente em 1994 incorporei no Quartel e não pude usufruir desses bons momentos culturais e enriquecedores; somente com algumas idas bem rápidas e discretas para marcar presença.
    Guardo na lembrança essas passagens com muito carinho e a certeza de que foram momentos bem vividos entre mim e o Zé Renato, Irmão faz uma tremenda falta pois independente da cervejinha que gostávamos de beber, ele sempre foi um Homem muito sóbrio na vida.

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    1. Marcelo,

      primeiramente, quero dizer que fico muito feliz em ter sua participação aqui no blog. Segundo, me desculpar por ter mencionado apenas o Aécio no quadro de funcionários. Talvez seja porque você é irmão e aí, pra mim, não valeria. Na verdade, não lembrei mesmo. Agora, depois de mencionar, recordo-me disso.

      Momentos marcantes devem ser relembrados mesmo com toda intensidade necessária. O Zé era uma cara que agregava e todos se aproximavam por conta disso. Imagino que pra você, até pela pouca idade na época, tenha sido bastante significativo todo aquele momento com ele, com Abel e Jorginho, Luiz, Marcio entre tantos outros. Acho que a Mocidade do Centro também ajudou e muito nesse amálgama. A gente ficou bem ligado um com o outro.

      Que legal que tenha curtido o texto!

      Volte sempre, Abração!

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    2. Assis,
      Não tem do que se desculpar. Minha finalidade foi simplesmente injetar mais informações numa história magnífica que poucos tiveram a oportunidade de vivenciar.
      Acredito que se cada um contar um pouco do que presenciou no "Bar do Zé", teremos uma história fascinante e que certamente poderá se transformar em um belo Livro.
      Abraço!

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    3. É verdade, Marcelo.

      Legal poder participar dessas histórias e poder contá-las.

      Abraço.

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  9. Bem legal esse texto Assis. Também circulei lá, e era um ótimo ponto de encontro. O Nelson também era uma presença constante nessa época, e muito próximo da galera do Zé. è bom relembrar. sinto falta desses amigos. Você como é um cara que agrega memórias e pessoas podia promover um encontro da galera da antiga, o que acha?
    David Oliveira

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    1. David,

      como você, também sinto muita vontade de rever todos. O problema é aonde reunir uma turma tão grande, que provavelmente iria levar também outras pessoas. Ainda assim, tenho pensado nisso. Valeu pela presença no blog.

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  10. Assis, infelizmente não pude conhecer o Bar do Zé. Soube, no entanto, das façanhas em torno deste empreendimento!

    O que não tinha era noção da extensão e do significado deste lugar, que se incorporou à história de todos vocês. Lugar de encontro, de amigos, de vivências que os marcaram profundamente.

    A trilha sonora deste verdadeiro documentário que você esboçou não é apenas evocação daquele momento, mas também foi protagonista da história.

    Nos bastidores, alguns anos antes, pude fomentar colaborar com meu violão e algumas canções, na formação desta banda, que em pouco tempo me fizeram entrar para história como um distante precursor... Não demorou nada para o Luiz mostrar a razão da sua presença na casa da tia Carmen e na nossa vida coletiva e cultural (a cada da tia era um verdadeiro centro cultural!).

    O Zé Renato foi um talento não totalmente aproveitado por muitas razões e circunstâncias. Ele trabalhava na Thomas de la Rue e, como office boy, conseguia poupar e investir muito melhor que eu, que tinha um emprego proporcionalmente melhor e com um salário três ou quatro vezes maior. Tanto que quando compramos aquele famoso Chevette (cuja morte o Jorginho decretou numa batida), eu era sócio com apenas 25%. O resto foi ele quem bancou.

    Até hoje me arrependo de ter sido tão reativo aos conselhos do Zé, que era um homem prático e sabia das coisas!! Eu teria aprendido muito mais...

    Na minha trilha sonora particular está, agora, tocando aqui sem parar, "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo" (https://www.youtube.com/watch?v=tW0oVxWYOA8), do Lô Borges, que o Luiz, você e o Zé cantavam tão bem!

    Enfim, muitas saudades senti deste tempo que não vivi, mas posso evocar também como um pouco meu.

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  11. Boa tarde Assis. Gostaria de saber algo sobre o baixista Capacete, alguém no seu blog mencionou. Estou fazendo uma sinopse dele no meu blog e não estou encontrando muita coisa. Abraços.

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    1. Olá Zé,

      você se lembra em que postagem você encontrou essa menção. Porque não me lembro e digo que nem mesmo conheço esse músico.

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  12. Assis, sensacional!! Seu texto me remeteu direto para o pink bar e para a famosa calçada !! Rsrs.. Confesso que sempre estive mais ligado ao rock, pois fazia parte das bandas q vc citou no texto e q tocavam nas festas juninas, no clube 1o de maio, casarão, etc, mas confesso q aprendi com vc e meus primos Alex e Andrea Sarmento a gostar da MPB, da galera do Clube da Esquina e tantos outros.. Música boa sempre será música boa , independente do gênero .. Parabéns e obrigado por me proporcionar essa excelente lembrança.. Nostalgia no melhor sentido da palavra .. Abs

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    1. Valeu, Alexandre.

      Seu depoimento é super importante por aqui, pois contextualiza ainda mais a história. Afinal, você fez parte como testemunha ocular.

      Grande abraço e volte sempre a esse espaço.

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  13. Assis, Obrigado por ter escrito essa história tão gostosa de se ler. Eu também não conheci o bar mas a sua descrição me fez sentir o lugar e ouvir a musica e o burburinho. Acho que ajudado por minha memória de ter frequentado bares parecidos nos anos 80. Super legal a história, vai compilando para colocar num livro!

    Grande abraço

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    1. Que surpresa te ver por aqui. Que bom que apareceu. Tenho sentido muita falta dos tempos que convivemos e que batíamos altos papos. Sua força pra que eu fizesse a faculdade na área de humanas foi super importante para mim. Nunca esquecerei.
      Este espaço é aonde eu despejo todos os tipos de forma possíveis da escrita. Poesias, pequenos contos, fábulas e memórias, sobretudo.
      Legal que gostou. Sinal que estou no caminho certo. Quanto ao livro, venho pensando sim. Alguns amigos que já até escreveram os seus me falam a mesma coisa.
      Volte sempre, Marcos. Matemos a saudade por aqui. Será sempre um prazer a sua visita. Grande abraço e feliz ano novo!

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  14. Olá meu primo querido! Que lindo texto! Na minha juventude frequentei muito esse tipo de ambiente agradável. Um barzinho, as vezes simples, mas com boa música e rodeada de amigos. Inesquecível! Beijão.

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